Contra inflação, governo pode tomar medidas 'não populares', diz Mantega
12/04/2013 14:30:36

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta sexta-feira (12) que o governo não vai titubear em tomar as medidas necessárias para manter a inflação sob controle, ainda que isto implique em optar por alternativas “consideradas não populares, como a elevação da taxa de juros, quando isso é necessário”.
“As medidas que forem necessárias serão tomadas pelo governo, não titubeamos em tomar as medidas, inclusive, posso dizer, mesmo medidas que são consideradas não populares, como elevação da taxa de juros, quando isso é necessário", afirmou, durante palestra em São Paulo, apontando que as decisões do governo não se pautam por calendário político.
Pouco depois, em entrevista para repórteres, ao ser questionado se havia sinalizado ao mercado que os juros poderiam subir para conter a alta da inflação, Mantega disse que “ministro da Fazenda não fala em aumento de juros”.
“Eu não sinalizo para o mercado. O que tenho dito é que o governo sempre tomará medidas que forem necessárias. É claro que para combater a inflação são várias as medidas, entre elas, pode ser os juros. Mas isso, só se o Copom, o Banco Central considerar conveniente".

Inflação e juros
O ministro reforçou que a inflação brasileira vem caindo ao longo do tempo e disse que o governo tem cumprido as metas do sistema de metas da inflação, principalmente nos últimos cinco anos. “A partir de 2005, deixamos de ultrapassar o limite superior da meta, que é 6,5%. (...) O que mostra que o governo dá uma atenção muito grande ao controle da inflação e temos tido sucesso na manutenção da inflação sob controle.”
Ele disse que o governo tem esta preocupação de não deixar a inflação subir porque entende que ela é bastante ruim, principalmente para a população da baixa renda, pois diminui a capacidade de consumo.
“Também porque ela atrapalha os investimentos, atrapalha os empreendimentos, atrapalha eu diria que todo os setores produtivos. Esta é uma forte razão pela qual a gente dá uma atenção grande para o controle da inflação”, comentou.
PIB
Durante sua palestra, Mantega afirmou que a economia brasileira tem tido um desempenho forte, baseado no fortalecimento do mercado interno.
“[É] com base no crescimento dos últimos anos e no fortalecimento do mercado interno que a economia brasileira tem tido um desempenho forte”, afirmou ele, em palestra em São Paulo.
Mantega apontou que a economia brasileira demonstra dinamismo, o que permitiu ao país crescer mais que a média durante o auge da crise financeira internacional.
“Os EUA tiveram média de crescimento do PIB, de 2007 a 2012, de 0,8%. México, 1,9%. Nossa média foi de 3,7% neste período. Estamos falando do período da crise internacional”, afirmou. “Crescer 3,7% num período difícil mostra o dinamismo da economia brasileira. Ela foi muito dinâmica para atravessar por esta crise”, apontou.
Invesimento
Ao falar da economia brasileira, Mantega disse que “uma boa notícia é que o investimento está se recuperando”. “O que é muito bom, porque o investimento é a mola mestra para impulsionar a economia, principalmente em períodos de crise”, comentou.
De acordo com o ministro, a indústria deve crescer este ano entre 3% e 3,5% – depois de ter recuado 0,8% em 2012. A agricultura, que no ano passado também teve desempenho negativo, este ano encontra-se em uma “trajetória sólida”, nas palavras de Mantega.
“Este ano, a agricultura está bem. Ela vai dar uma contribuição forte para o PIB. Tudo isso, portanto, indica que o PIB deste ano será bom, será melhor do que o do ano passado”, destaca.